quinta-feira, 15 de novembro de 2012

+ UM

Mais um dia depois de muitos.



Aquele dia em que tudo entristece, as nuvens o sol escondido por entre as nuvens não são mais que estados de espírito reflectidos no tempo. Aquele tempo escuro que sempre passa, quase que voa mesmo quando nem notamos.




Que a água passe sobe a ponte da vida de forma calma sem rebuliço, não arraste consigo as pedras que ferem a pele, os troncos que nos obrigam a ficar prostrados em vez de servir de jangada.


Muitas vezes o sorriso apenas esconde um sentimento, por vezes  o contentamento não existe, finge-se, apenas ser alguém para o outro não saber, não conhecer o que na alma vai.




 
Princesa Desalento

Minh'alma é a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
É magoada, e pálida, e sombria,
Como soluços trágicos do vento!

É fágil como o sonho dum momento;
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria:
Minh'alma é a Princesa Desalento...

Altas horas da noite ela vagueia...
E ao luar suavíssimo, que anseia,
Põe-se a falar de tanta coisa morta!

O luar ouve minh'alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz à tua porta...

                   Florbela Espanca